Especialista orienta como utilizar Uber e táxi com segurança; veja as dicas
Casos recentes, como das mulheres em Goiânia estupradas por um motorista de Uber, têm gerado insegurança para os passageiros que utilizam o aplicativo. Em Belo Horizonte (MG), esta semana, uma jovem de 24 anos relatou à polícia ter sido estuprada, após o motorista desligar o GPS do veículo. Os clientes do app alegam que, além do preço mais convidativo do que os praticados pelos táxis, o atendimento e a suposta segurança seriam bons diferenciais na escolha entre um e outro meio de transporte.
Uma das formas de evitar surpresas desagradáveis, é acionar o Uber somente por meio do aplicativo e evitar negociar as corridas “por fora”, como aconteceu com as três vítimas de Goiânia. No caso dos táxis, pedir o serviço somente por meio das centrais telefônicas das empresas também garante um pouco mais de segurança. Mas não totalmente. A garota de Belo Horizonte, que conseguiu se desvencilhar do agressor, acionou Uber pela maneira oficial.
Ouvido pelo jornal A Redação, o presidente do Grupo Tecnoseg, Ivan Hermano Filho (foto ao lado), deu dicas importantes para uma viagem mais tranquila. Especialista em segurança patrimonial e pessoal, ele diz que, de início, ao chamar o Uber, é interessante fazer um print screen (‘fotografar’ a tela do celular), onde constam o nome do motorista, a placa e o modelo do automóvel. Em seguida, enviar a imagem imediatamente via WhatsApp para um parente ou conhecido.
Na sequência, Ivan Filho diz que, ao chegar o carro – essa dica também vale para os táxis – a instrução é, antes de entrar, se posicionar na frente do veículo e fotografá-lo, de modo a enquadrar o rosto do motorista e a placa do automóvel. Em seguida, enviar também essa imagem pelo WhatsApp a alguma pessoa próxima. Para minimizar um possível estranhamento por parte do motorista, o usuário deve agir com franqueza.
“Diga: ‘eu tenho o hábito de mandar a foto de quem eu estou andando para uma pessoa que está monitorando a minha viagem’”, ensina o especialista. “Se o motorista for uma pessoa honesta, como em 99,9% dos casos, um trabalhador, ele não vai ter problema nenhum com isso. Se ele for um ofensor ou um agressor, ele vai se preocupar em não agredir essa pessoa, porque sabe que o rosto dele, as informações dele, foram passadas adiante”, ressalta.
De acordo com Ivan Filho, nos casos de estupro, por exemplo, o maior risco de morte é após o ato ter sido concluído, não antes. “Porque o estuprador não mata para estuprar. Ele estupra e mata para esconder. Se o rosto dele já foi transmitido, se as informações do carro dele já foram transmitidas pela possível vítima, ele não tem como esconder aquele delito.”
Viajar sempre no banco traseiro
Segundo o presidente da Tecnoseg, andar no banco de trás e se posicionar do lado esquerdo, ou seja, atrás do motorista, diminui consideravelmente o raio de ação no caso de uma tentativa de agressão. “Você deixa uma visão muito mais difícil para ele e você tem uma visão muito mais fácil dele. Se tiver algum problema, você tem condição, inclusive, de tentar pular do carro”, declarou.
Spray de pimenta
Vítimas em potencial, as mulheres são as que mais buscam meios de defesa. Muito comum em lojas militares, os chamados equipamentos de choque são vendidos pela internet por R$ 50, em média. Para Ivan Filho, no entanto, não são a melhor arma.
Na avaliação dele, o spray de pimenta é mais eficaz porque dá à vítima uma possibilidade maior de fuga. “O spray é muito mais eficiente, porque a pessoa não consegue enxergar por algum tempo. Dói muito o olho. Você dá uma borrifada e o efeito dele é longo. Já o choque só funciona enquanto você está encostando o aparelho continuamente no seu agressor”, explica. “Com o choque, ele não vai desmaiar. Vai doer apenas. E a probabilidade de ele reagir com uma violência maior é enorme. Já o spray de pimenta dificulta a visão da pessoa. É atordoante para o agressor. Ele tende a se afastar de você e permitir que você escape muito mais rápido”, conclui.
Por lei, spray de pimenta é controlado pelo Exército. Ano passado, no entanto, uma empresa chamada Condor lançou novo spray, que usa como base pimenta do tipo piperina, conhecida como pimenta preta. Ao contrário da malagueta, usada pela polícia em controle de distúrbios, a piperina não faz parte do rol de produtos controlados pelas Forças Armadas. Na internet, o spray é encontrado por preços que variam entre R$ 45 e R$ 50.
Confira o resumo das dicas para uma viagem com segurança:

